As conversas foram capturadas por hackers que invadiram os celulares do Ministro da Justiça e alguns procuradores do Ministério Público que atuam na força-tarefa da operação Lava Jato.
O procurador Deltan Dallagnol, um dos líderes da Lava Jato ao centro, juntamente com outros integrantes da força-tarefa.

O site “The Intercept”, do jornalista Glen Greenwald, ‘marido’ do deputado psolista Davi Miranda, divulgou na noite deste domingo (9) trechos de mensagens atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e ao então juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, extraídas do aplicativo Telegram.

Os alvos dessas conversas denunciaram recentemente que tiveram seus celulares hackeados ilegalmente, o que obviamente é crime.

O “Intercept”, no entanto, disse que obteve os diálogos antes dessa invasão. Segundo o site, as informações foram obtidas de uma fonte anônima. O site diz que procuradores, entre eles Deltan Dallagnol, trocaram mensagens com Moro sobre alguns assuntos investigados.

Ainda segundo o site, o então juiz Sérgio Moro orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores. Em um dos diálogos, Moro pergunta a Dallagnol, segundo o site: “Não é muito tempo sem operação?” O chefe da força-tarefa concorda: “É, sim”.

Numa outra conversa, o site diz que é Dallagnol que pede a Moro para decidir rapidamente sobre um pedido de prisão: “Seria possível apreciar hoje?” E Moro responde: “Não creio que conseguiria ver hoje. Mas pensem bem se é uma boa ideia”.

Nove minutos depois, Moro, segundo o “Intercept”, adverte a Dallagnol: “Teriam que ser fatos graves”.

Mais conversas

Vários outros trechos de conversas pessoais entre os procuradores da Lava Jato foram divulgadas pelo site. Assuntos como oferecimento de denúncias contra o ex-presidente corrupto Lula e uma entrevista que ele ia dar antes do segundo turmo da eleição presidencial do ano passado também foram comentados.

À época, a defesa do ex-presidente que está preso em Curitiba, protocolou um pedido para que o cliente pudesse dar uma entrevista pouco antes do segundo turno da eleição de 2018 que aconteceu entre o então candidato Jair Bolsonaro e o ex-prefeito de São Paulo e ungido de Lula na época, Fernando Haddad.

Oque disse o ministro Moro

O ministro Sérgio Moro lamentou que a reportagem não indicasse a fonte das informações e o fato de não ter sido ouvido antes da postagem da notícia.

Segundo ele, no conteúdo das mensagens que citam seu nome, “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”.

E a Lava Jato, oque disse?

A força-tarefa da Lava Jato divulgou uma nota afirmando que seus integrantes foram vítimas de uma ação criminosa de um hacker. E que esse hacker praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes.

Segundo a nota, o hacker invadiu telefones e aplicativos dos procuradores da Lava Jato e teve acesso à identidade de alguns deles. Ainda segundo a força-tarefa, o autor do ataque obteve cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho.

Dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias.

A Lava Jato afirma que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com “pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial”.

A nota afirma ainda que os procuradores mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais. E que vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores “são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras”.

A nota afirma que “muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas”.

A força-tarefa afirma que “estará à disposição para prestar esclarecimentos sobre fatos e procedimentos de sua responsabilidade, com o objetivo de manter a confiança pública na plena licitude e legitimidade de sua atuação, assim como de prestar contas de seu trabalho à sociedade”.

Opinião

Este nefasto episódio da mídia brasileira, que aliás não é o primeiro, escancara um triste cenário de mau caratismo da vida nacional. Vemos em alguns veículos de mídia, no meio político e na sociedade em geral, uma seletividade inacreditável.

Oque o “The Intercept” fez, foi apologia a um crime digital. Pior do que isso, expôs alguns homens e mulheres de caráter ilibado a uma humilhação não ainda mensurável. Leia-se que essas mensagens divulgadas pelo portal esquerdista é parte de uma invasão bem mais profunda, onde arquivos pessoais dos procuradores e documentos sigilosos do MPF podem ter sido escrutinados por criminosos virtuais.

Na íntegra da matéria divulgada pelo portal, em nenhum momento vemos essa preocupação. Simplesmente colheram o fruto do trabalho do hacker, e se utilizaram disso.

Como se não bastasse, vemos ‘profissionais’ de alguns veículos de mídia comemoram a devassa na vida pessoal do ministro Sérgio Moro e de seus amigos da força-tarefa da Lava Jato, com a única explicação de que a ‘máscara caiu’.

Sim, a máscara caiu. As intenções de algumas pretensas ‘criaturas do pântano político’ foram desnudadas, mas Moro, Deltan e os outros heróis da Lava Jato não têm nada a ver com isso.

Vale tudo pelo poder, pela sobreposição de narrativas. Até mesmo sabotar a justiça do país e os integrantes da maior operação contra a corrupção da história do mundo.

Com esta ‘bomba’ criada pelos narradores do caos, que nada mais é do que um conjunto de conversas informais, fica também muito claro que no meio da própria população, onde estão as pessoas mais atingidas pela corrupção, há grupos onde indivíduos tem preferência á criminosos, em detrimento dos agentes da lei. Pobre Brasil.

Por fim, tudo isso deve ser apurado, os hackers encontrados, e seus patrocinadores responsabilizados, assim como os divulgadores do material do crime. Quanto aos desdobramentos sobre o conteúdos das conversas, que a observância da lei leve, de uma vez por todas, a vantagem.