Até 6 de maio, escolas e bancos ficarão fechados, além de órgãos do governo.

Começa neste sábado (27) no Japão um feriado de dez dias, decretado por causa da mudança de imperador marcada para a próxima terça (30). Até o dia 6 de maio, bancos, escolas, creches e órgãos oficiais não vão funcionar. Vários estabelecimentos comerciais também ficarão fechados, segundo a agência de notícias Reuters.

O atual monarca, Akihito, de 85 anos, vai abdicar em favor do filho, Naruhito, e, a partir de 1º de maio, o país terá uma nova era imperial, a Reiwa. Akihito reina há três décadas.

O feriado, que segundo a Reuters é inédito na duração, deve impulsionar a economia japonesa: 24,7 milhões de pessoas devem viajar — a maioria deles, 24 milhões, para destinos dentro do país, segundo a agência de viagens JTB Corp. O número é 1,2% mais alto que o do mesmo período no ano passado, diz o jornal “The Japan Times”.

“Os japoneses estão em clima festivo, com o início da era imperial e a pausa de 10 dias”, afirmou Yoshiie Horii, porta-voz do fabricante de cerveja Asahi Group, que está aumentando a produção de várias marcas em 5 a 10 % antes do feriado. “Achamos que esse feriado vai estimular os gastos do consumidor”, disse.

Nesta época do ano, o Japão já tem um “aglomerado” de feriados nacionais, a chamada “Semana Dourada”. Neste ano, as autoridades do país declararam férias estendidas para comemorar a sucessão imperial. E, como a mudança se dá pela abdicação, e não pela morte, de Akihito, os japoneses não têm a necessidade de conter-se por causa do luto, diz a Reuters.

Para marcar a nova era, lojas de departamento em Tóquio planejam oferecer quantidades limitadas de itens comemorativos no dia 1º de maio, diz a Reuters, incluindo doces tradicionais com “Olá, Reiwa” e confeitos polvilhados.

Nem todos os japoneses estão felizes com as férias, entretanto. Alguns não sabem o que fazer com um período tão longo sem trabalhar, e houve quem se queixasse da falta de acesso a serviços públicos e banheiros, ou de não ter onde deixar as crianças por causa dos feriados. Já para os que trabalham na indústria de serviços, por exemplo, o feriado estendido pode significar horas extras, diz o jornal “The Japan Times”.

Alguns analistas temem, entretanto, que qualquer aumento no consumo provavelmente seja seguido de uma queda, o que tornaria o impacto insignificante, diz a Reuters.

“Um aumento de gastos, se houver, será de curta duração”, disse Masaki Kuwahara, economista sênior da Nomura Securities.

Os fabricantes geralmente não esperam que as férias mais longas causem um grande impacto. A Toyota, por exemplo, diz que as usinas normalmente ficam fechadas por nove dias durante a Semana Dourada, e está fazendo o mesmo este ano.