Lucas Soares Fontes foi alvo de reportagem do Fantástico neste domingo (09). Ele alega que não cometeu irregularidade, mas para o INSS e PF ficou comprovado que o rapaz se passou por negro, por isso foi indiciado por falsidade ideológica.
Em foto enviada á banca avaliadora do certame, ele se pintou de marrom para parecer negro.

Como pode um homem branco ser aprovado num concurso como cotista racial? Foi desvendado um caso de fraude no sistema criado para tentar reduzir as desigualdades entre brancos e negros no mercado de trabalho.

Lucas Soares Fontes, de 24 anos, foi exonerado do cargo de Técnico em Seguro Social do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) em Juiz de Fora, Minas Gerais. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (10). A demissão do falsificador aconteceu após investigações internas e da Polícia Federal (PF) sobre o fato de ele ter falsificado suas próprias características físicas para parecer negro, com o intúito de ser aprovado dentro das vagas por cotas raciais em um concurso público em 2016.

Ele é branco de olhos claros, mas em fotos apresentada durante o concurso e tiradas durante a investigação, ele se apresentou com a pele e olhos escuros. O caso foi um dos exibidos em uma reportagem do Fantástico neste domingo (9).

De acordo com a nota divulgada pelo INSS, o caso envolvendo o ex-servidor foi “pontual e, quando de conhecimento do Instituto, foi devidamente apurado internamente e providenciada a exclusão do candidato do concurso”.

“O INSS não tem dúvida de que ocorreu a fraude e o uso indevido da cota de negros”, afirmou o gerente-executivo do INSS em Juiz de Fora, Edésio Antônio Siqueira de Santos.

O caso também foi apurado em um inquérito na Polícia Federal de Juiz de Fora, já concluído, e que será encaminhado à Justiça. “Ele foi indiciado pelo crime de falsidade ideológica, artigo 299 do Código Penal, que prevê pena de um a cinco anos de reclusão por ter adulterado informação relevante sobre um fato juridicamente relevante relativo a sua pessoa com fim de obter uma vantagem em relação a isso”, afirmou delegada Fabiana Martins Machado em entrevista nesta segunda (10).