Presidente disse na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), que vai enviar ao Congresso projeto de lei que prevê excludente de ilicitude.
O presidente em sua chegada á feira.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta sexta-feira (29) a isenção de punição ao proprietário rural que ferir um invasor. A declaração foi dada durante a abertura da Agrishow, feira de tecnologia para o campo, que acontece até sexta-feira (3), em Ribeirão Preto (SP).

“Será encaminhado um projeto nosso à Câmara, vai dar o que falar, mas é uma maneira que nós temos de ajudar a combater a violência no campo, é fazer com que ao defender a sua propriedade privada ou a sua vida, o cidadão de bem entre no excludente de ilicitude. Ou seja, ele responde, mas não tem punição. É a forma que nós temos que proceder para que o outro lado, que teima em desrespeitar a lei, tema vocês, tema o cidadão de bem, e não o contrário.”

Durante o discurso, Bolsonaro afirmou que “a propriedade privada é sagrada e ponto final”. Ele citou que esteve reunido no domingo (28) com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e que, na próxima semana, será colocada em pauta a discussão de um projeto de lei para permitir ao produtor rural utilizar armas em todo o perímetro da propriedade.

O chefe do Executivo federal voltou a defender uma “segurança jurídica no campo”. Segundo ele, a reforma agrária não terá “viés ideológico” no governo dele.

Juros do Banco do Brasil

Em outro trecho do discurso, Jair Bolsonaro fez um “apelo” ao presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, para que sejam oferecidos na instituição financeira juros mais baixos aos produtores rurais. Ele fez o pedido ao anunciar R$ 1 bilhão para o seguro rural.

“Eu apenas apelo, Rubens, me permite fazer uma brincadeira aqui. Eu apenas apelo para o seu coração, para o seu patriotismo, para que esses juros, tendo em vista você parecer-se um cristão de verdade, caiam um pouquinho mais. Tenho certeza de que as nossas orações tocarão seu coração”, disse.

Os papéis da companhia chegaram a operar em queda após a fala do Bolsonaro, mas as ações do Banco do Brasil fecharam com alta de 0,04%.

Meio ambiente

O presidente afirmou que negociou com o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, uma limpa no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os dois órgãos são vinculados ao Ministério do Meio Ambiente e dividem o trabalho de fiscalização e preservação ambiental.

Nos últimos meses, Ricardo Salles vem promovendo mudanças nos dois institutos e considera fundi-los. As mudanças levaram a quatro pedidos de demissão de gestores do ICMBio, entre os quais o então presidente do órgão, Adalberto Eberhard.

Após as declarações de Bolsonaro, Salles disse que o presidente usou uma figura de linguagem.

“Significa, na verdade, que estamos apoiando os bons funcionários do Ibama, gente dedicada, gente técnica, que cuida das suas atividades com muito cuidado. Por outro lado, eventuais desvios que são identificados por nós vão ser objeto de atuação. Foi isso que o presidente quis dizer, nada além disso.”